30 de março de 2016 Artist Image

Caça a Raposa – 1975

  • O Mestre-sala dos Mares

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Há muito tempo
    Nas águas da Guanabara
    O dragão do mar reapareceu
    Na figura de um bravo feiticeiro
    A quem a história não esqueceu
    Conhecido como o navegante negro
    Tinha a dignidade de um mestre-sala
    E ao acenar pelo mar na alegria das regatas
    Foi saudado no porto
    Pelas mocinhas francesas
    Jovens polacas e por batalhões de mulatas
    Rubras cascatas
    Jorravam das costas dos santos
    Entre cantos e chibatas
    Inundando o coração
    Do pessoal do porão
    Que a exemplo do feiticeiro
    Gritava então:
    Glória aos piratas, às mulatas, às sereias
    Glória à farofa, à cachaça, às baleias
    Glória a todas as lutas inglórias
    Que através da nossa história
    Não esquecemos jamais
    Salve o navegante negro
    Que tem por monumento
    As pedras pisadas do cais
    Mas salve
    Salve o navegante negro
    Que tem por monumento
    As pedras pisadas do cais
    Mas faz muito tempo...

  • De Frente Pro Crime

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Ta lá o corpo estendido no chão
    Em vez de rosto uma foto de um gol
    Em vez de reza uma praga de alguém
    E um silêncio servindo de amém
    O bar mais perto depressa lotou
    Malandro junto com trabalhador
    Um homem subiu na mesa do bar
    E fez discurso pra vereador
    Veio camelô vender anel, cordão, perfume barato
    E baiana pra fazer pastel e um bom churrasco de gato
    Quatro horas da manhã baixou o santo na porta-bandeira
    E a moçada resolveu parar e então...
    Ta lá o corpo estendido no chão
    Em vez de rosto uma foto de um gol
    Em vez de reza uma praga de alguém
    E um silêncio servindo de amém
    Sem pressa foi cada um pro seu lado
    Pensando numa mulher ou num time
    Olhei o corpo no chão e fechei
    Minha janela de frente pro crime
    Veio camelô vender anel, cordão, perfume barato
    E baiana pra fazer pastel e um bom churrasco de gato
    Quatro horas da manhã baixou o santo na porta-bandeira
    E a moçada resolveu parar e então...
    Ta lá o corpo estendido no chão

  • Dois pra lá Dois pra cá

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Sentindo frio em minh´alma
    Te convidei pra dançar
    A tua voz me acalmava:
    São dois pra lá, dois pra cá
    Meu coração traiçoeiro
    Batia mais que o bongô
    Tremia mais que as maracás
    Descompassado de amor
    Minha cabeça rodando
    Rodava mais que os casais
    O teu perfume gardênia
    E não me perguntes mais
    A tua mão no pescoço
    As tuas costas macias
    Por quanto tempo rondaram
    As minhas noites vazias
    No dedo um falso brilhante
    Brincos iguais ao colar
    E a ponta de um torturante
    Band-aid no calcanhar
    Eu hoje me embriagando
    De uísque com guaraná
    Ouvi tua voz murmurando:
    São dois pra lá, dois pra cá

  • Jardins de Infancia

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    É como um conto-de-fadas:
    Tem sempre uma bruxa pra apavorar
    O dragão comendo gente
    E a bela adormecida sem acordar
    Tudo que o mestre mandar
    E a cobra-cega sem enxergar
    E você se escondeu e você esqueceu...
    Pique pau cuspe em distância
    Pés pisando em ovos veja você
    Um tal de pular fogueira
    Pistolas morteiros veja você
    Pega malhação em Judas
    E quebra cabeças veja você
    E você se escondeu e você não quis ver...
    Olha o bobo na berlinda
    Olha o pau no gato, polícia e ladrão
    Tem carniça e palmatória
    Bem no seu portão.
    Você vive o faz de conta
    Diz que é mentira, brinca até cair
    Chicotinho tá queimando
    Mamãe posso ir?
    Pique pau cuspe em distância
    Pés pisando em ovos bruxa dragão
    Um tal de pular fogueira
    E a cabra cega vai de boldão
    Pega malhação de Judas
    E um passarinho morto no chão
    E você conheceu e você aprendeu...

  • Jandira da Gandaia

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Jandira da gandaia
    Jandira da algazarra
    Jandira, já é dia...
    Quem diria...
    Jandira de Oxossi
    Cuidado com essa tosse
    Quando a noite esfria
    Por que um dia
    E um dia (quem diria)
    Jandira variou como a maré varia
    Suou e delirou como no amor fariz
    Se pudesse amar
    Jandira caixão de pinho
    Luto, choro, velharia...
    Assim não quero lembrar
    Jandira da gandaia, tu era da minha laia
    Hoje eu vou beber, sambar
    Vou fazer feito você
    Que nunca se preocupou
    Com imagem por exterior
    Vou render minha homenagem, fazendo furdunço
    Tocando horror
    E quando a noite acabar
    Eu vou gritar entre as grades
    De qualquer delegacia:
    Jandira, já é dia, quem diria...

  • Escadas da Penha

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Nas escadas da Penha
    Penou no cotoco de vela
    Velou a doideira da chama
    Chamou o seu anjo-de-guarda
    Guardou o remorso num canto
    Cantou a mentira da nega
    Negou o ciúme que mata
    Matou o amigo de ala.
    Tá lá
    Tá lá o valete
    No meio das cartas
    No jogo dos búzios,
    Tá lá no risco da pemba,
    No giro da pomba,
    No som do atabaque,
    Tá lá.
    E tá no cigarro, no copo de cana
    Na roda de samba, tá lá
    Nos olhos da nega na faca do crime
    No caco do espelho no gol do seu time...
    Tá lá o amigo de ala
    O amigo de ala
    Matou o ciúme que mata
    Negou a mentira da nêga
    Cantou o remorso num canto
    Guardou o seu anjo-de-guarda
    Chamou a doideira da chama
    Velou no cotoco da vela
    Penou nas Escadas da Penha

  • Casa de Marimbondo

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Meu samba é casa de marimbondo:
    Tem sempre enxame pra quem mexer
    Não sabe com quem está falando
    Nem quer saber, nem quer saber, nem quer saber
    Tem gente aí que acha
    Que samba é contravenção
    Eu saco bem o tipo
    E sou de opinião
    Que é nego acredita
    Que sempre tá com a razão
    Meu samba sempre diz:
    Essa Não! Essa Não! Essa Não!
    Se o morro fica fazendo média
    E aceitando a situação
    Meu samba chega e, de cara feia
    Dá decisão, dá decisão, dá decisão.

  • Nessa Data

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Hoje vai, vai ter marmelada,
    Ouro e rua dos fliembusteiros,
    Canastrões de capa e espada,
    Rá-tá-plã dos boys escoteiros.
    Bororós e homens marcados,
    Pangarés, quermesses e missas,
    Fuzuê nos supermercados,
    Busca-pés, bolachas, carniças.
    Mais guaranás
    E parabéns nessa data querida,
    Meus guaranis
    Que o couro coma nos seus carnavais,
    Que os menestréis
    Cantem na voz dos pierrôs da caverna,
    Que o trovador
    Tenha peixeira e um bom jogo de perna,
    Guaranis, Parabéns pra vocês.
    Na TV, comícios e mísseis,
    Jacarés, figuras difíceis,
    Hospitais, turismo e transplantes,
    Pantanais e desodorantes.

  • Bodas de Prata

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Você fica deitada
    De olhos arregalados
    Ou andando no escuro de penhoar
    Não adiantou nada
    Cortar os cabelos e jogar no mar
    Não adiantou nada o banho de ervas
    Não adiantou nada o nome de outra
    No pano vermelho
    Pro anjo das trevas
    Ele vai voltar
    Cheirando a cerveja,
    Se atirar de sapato na cama vazia
    E dormir na hora murmurando: Dora...
    Mas você é Maria
    Você fica deitada
    Com medo de escuro
    Ouvindo bater no ouvido
    O coração descompassado
    ¾ é o tempo, Maria, Te comendo
    Feito traça num vestido de noivado.

  • Caça a Raposa

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    O olhar dos cães, a mão nas rédeas
    E o verde da floresta
    Dentes brancos, cães
    A trompa ao longe, o riso
    Os cães, a mão na testa:
    O olhar procura, antecipa
    A dor no coração vermelho
    Senhoritas, seus anéis, corcéis
    E a dor no coração vermelho
    O rebenque estala, um leque aponta: foi por lá!...
    Um olhar de cão, as mãos são pernas
    E o verde da floresta
    - Oh, manhã entre manhãs! -
    A trompa em cima, os cães
    Nenhuma fresta
    O olhar se fecha, uma lembrança
    Afaga o coração vermelho:
    Uma cabeleira sobre o feno
    Afoga o coração vermelho
    Montarias freiam, dentes brancos: terminou...
    Línguas rubras dos amantes
    Sonhos sempre incandescentes
    Recomeçam desde instantes
    Que os julgamos mais ausentes
    Ah, recomeçar, recomeçar
    Como canções e epidemias
    Ah, recomeçar como as colheitas
    Como a lua e a covardia
    Ah, recomeçar como a paixão e o fogo

  • Kid Cavaquinho

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Oi que foi só pegar no cavaquinho
    Pra nego bater
    Mas seu contar o que é que pode um cavaquinho
    Os home não vão crer:
    Quando ele fere, fere firme
    E dói que nem punhal
    Quando ele invoca até parece
    Um pega na geral
    Genésio!
    A mulher do vizinho
    Sustenta aquele vagabundo
    Veneno é com meu cavaquinho
    Pois se eu to com ele
    Encaro todo mundo
    Se alguém pisa no meu calo
    Puxo o cavaquinho
    Pra cantar de galo

  • Violeta de Belfort Roxo

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Vivia entre bordados pensativa,Violeta
    A branca adolescente de raro encanto
    E mãos frias
    Mão fria, coração quente
    Quem te botou quebranto
    Vivia triste no canto
    Passando as contas do terço
    São José tirando a barba
    Me lembra alguém que eu conheço

    Um dia um menino cego
    Tocou Violeta e viu
    E depois o surdo ouviu
    Chagas sumiram
    Curou-se o coxo
    Por obra e graça de santa Violeta de Belfort Roxo

    E milagre dos milagres
    Sem jamais haver provado
    O leito nupcial
    Violeta deu á luz
    Um bebê de vitral
    Em meio ao é hoje só
    Da terça de carnaval

    O alentado rebento
    Vai se chamar Juvenal
    Por sinal o mesmo nome
    De um sargento do local

Share on:
Trem Bala Agnus Sei Por Um Sorriso Dois pra lá Dois pra cá Incompatibilidade de Genios Genesis (Parto) Falso Brilhante Linha de Passe Tal mãe, Tal filha Angra Profissionalismo é isso ai Escadas da Penha Bate um Balaio ou Rockson do Pandeiro Cabaré Coisa Feita Malabaristas do Sinal Vermelho Siri Recheado e o Cacete Tristeza de uma embolada Amar, Amar Quilombo Si Si No No Ditodos O Mestre-sala dos Mares As Minas do Mar Granito Desnortes Holofotes Indeciso Coração Querido Diário Forró em Limoeiro Se Você Jurar Calango Rosa Papel Machê Pixinguinha 10x0 Beirando a Rumba Kid Cavaquinho Perversa Mama Palavra Cinema Cidade Incompatibilidade de Gênios Bala com Bala - Edu Lobo Pronto pra próxima