30 de julho de 2016 Artist Image

Essa é a sua vida – 1981

  • Amigos Novos e Antigos

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Vou-me embora
    Porque todo dia
    É só mais um dia no rol dos dias
    E até a lágrima
    Queda estagnada de monotonia

    Vou-me embora
    Pra que o tempo nos cobre em saudade
    O que a vida vale,
    Pra que o amor seja o que nos distancia
    E não o ódio que nos equivale.

    Vou-m embora
    Pra que o espelho não nos compare

    Vou-me embora

    Pra que seja a vida
    Ao invés da morte
    O que nos separe.

  • Perversa

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Sempre o teu rosto
    Nos meus espelhos,
    Teus cães de caça
    Nos meus joelhos
    E um perfume
    Que me mata de ciúme.

    Sacerdotisa atormentada
    Por ficar ao teu lado
    Eu estou possuído
    Eu estou condenado.

    Mulher perversa,
    Não interessa
    Que eu enlouqueça nos teus pés
    Entre as pulseiras e os anéis.

    Meu doce vício,
    Meu suicídio.

    Martírio e idílio em cada vez
    Lua da minha insensatez
    Vinho da minha embriaguez.

  • Essa é a sua Vida

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Ser atriz, ser feliz
    Ex-favelada conquista Paris
    Jóias, corbéis, gritos de bis
    Um gentil homen, que lembre Aramis
    Ter sempre carne, licor de Anis
    no Balcão
    Servem pé, pra um funcionário
    pra um operário, pra um otário qualquer o avental azul
    os seus sonhos, manchas de café

  • Cabaré

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Na porta, lentas luzes de néon
    Na mesa, flores murchas de crepon...
    E a luz grená filtrada entre conversas
    Inventa um novo amor, loucas promessas...

    De tomara-que-caia
    Surge a crooner do norte
    - nem aplausos, sem vaia:
    Um silêncio de morte.

    Ah, quem sabe de si nesses bares escuros,
    Quem sabe dos outros, das grades, dos muros...
    No drama sufocado em cada rosto
    A lama de não ser o que se quis,
    A chama quase morta de um sol posto,
    A dama de um passado mais feliz.

    Um cuba-libre treme na mão fria
    Ao triste strip-tease da agonia
    De cada um que deixa o cabaré
    Lá fora a luz do dia fere os olhos.

  • Agnus Sei

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Faces sob o sol, os olhos na cruz
    os heróis do bem prosseguem na brisa da manhã.
    Vão levar ao reino dos minaretes
    a paz na ponta dos arietes,
    a conversão para os infiéis.
    Para trás ficou a marca da cruz
    na fumaça negra vinda na brisa da manhã.
    Ah! Como é difícil tornar-se herói.
    Só quem tentou sabe como dói
    vencer Satã só com orações.
    E-anda pacatárandá
    que Deus tudo vê
    ê-anda pacatárandá
    que Deus tudo vê
    e-anda, ê-ora
    ê-mandá, ê-matá.
    Responderei: ¾ Não!
    Dominus, domínio, juros além.
    Todos esse anos agnus sei que sou também,
    mas, ovelha negra, me desgarrei,
    o meu pastor não sabe que eu sei
    da arma oculta na sua mão.
    Meu profano amor eu prefiro assim:
    a nudez sem véus diante da santa inquisição.
    Ah, o tribunal não recordará
    dos fugitivos de Shangri-lah...
    O tempo vence toda ilusão.

  • Corsário

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Meu coração tropical
    está coberto de neve, mas,
    ferve em seu cofre gelado
    e a voz vibra e a mão escreve: mar.
    Bendita a lâmina grave
    que fere a parede e trás
    as febres loucas e breves
    que mancham o silêncio e o cais.

    Roseirais! Nova Granada de Espanha!
    Por você, eu, teu corsário preso
    vou partir a geleira azul da solidão
    e buscar a mão do mar,
    me arrastar até o mar,
    procurar o mar.

    Mesmo que eu mande em garrafas
    mensagens por todo o mar,
    meu coração tropical
    partirá esse gelo e irá
    com as garrafas de náufrago...
    e as rosas partindo o ar!
    Nova Granada de Espanha
    e as rosas partindo o ar!

  • De Partida

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Vou-me embora
    Porque todo dia
    É só mais um dia no rol dos dias
    E até a lágrima
    Queda estagnada de monotonia

    Vou-me embora
    Pra que o tempo nos cobre em saudade
    O que a vida vale,
    Pra que o amor seja o que nos distancia
    E não o ódio que nos equivale.

    Vou-m embora
    Pra que o espelho não nos compare

    Vou-me embora

    Pra que seja a vida
    Ao invés da morte
    O que nos separe.

  • Foi-se o que era doce

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Me descaderei de tanto xaxá
    No bobó de noivado da fia do Ribamar
    Vi quando cheguei as moça de lá
    Cuzinhando uns inhame com os óio de arrevirá
    Buzanfã de flor, chulapa de mel
    E a covanca soprando um sussurro descido do céu
    Tinha gago, anão, gente de azar
    Com a espinhela caída
    Pedindo pro inhame estala

    Jabaculê, virge, espetacular
    Assunto assim às veis é mió calar
    Mas des´que eu provei do bobó
    Eu to roxo pra comentar
    Sanfona, guitarra, batuque, berreiro e veja você
    O vira-desvira o caminho da roça e o balance
    Inhame e bobó, frango asado, cus-cus e maracujá
    Puçanga, cobreiro, retreta, jarguete e tamanduá
    Foguete beijando as estrêla e as moça lá

    Zé pinguilim, Chico do pincel!
    Paqueraro Lazinha que era muié de Xexéu
    Serafim três perna resolveu chiá
    Pois muié não é farinha que vai pra onde venta
    Deu-se um sururú de saculejá
    Tudo dando e levando
    Enquanto sem se mancar
    Pedro gargarejo com a mão no manjar
    Preparava um caldinho pra noiva gargareja

    Jabaculê,...

    Fui acudi um que tava no chão
    Tomei uma no ouvido de adevorvê o pirão
    Foi um cimitério, foi um carnaval
    De paixões confundidas quem é que tira a moral
    Pra ser sem-vergonha, basta ser decente
    E quem vende saúde, possivelmente é doente
    Foi-se o que era doce, ninguém quer contar
    Quanto macho afinou-se na festa do Ribamar.

  • Titulos de Nobreza (Ademilde no Choro)

    Autores: João Bosco & Aldir Blanc

    Tira a poeira das reminiscências
    Simplicidade e lamento, jamais
    Pérolas, língua de preto, cadência
    Mágoas, cristal, pedacinho do céu
    Murmurando, ingênuo, migalhas de amor
    Saxofone, me diz, porque choras
    Ai carinhoso e brejeiro, o chorinho Odeon
    Nas noites cariocas
    Naquele tempo, chorei, vou vivendo
    Nosso romance ainda me recordo
    Flor amorosa, apanhei-te, assanhado
    Numa seresta de sapato novo
    Eu vascaíno, um a zero
    Entre mil vibrações, Ademilde no choro.

  • O Caçador de Esmeralda

    Autores: João Bosco, Cláudio Tolomei & Aldir Blanc

    Verde que te quiero oro
    Bandeiras removendo a terra
    Esmeralda que aguarda agora
    No riacho além de Tordesilhas.

    É...
    Fernão se apaixonou como um selvagem
    Pela sereia do sertão, na água.
    Imagem virgem,
    Miragem esverdeada ao sol.

    No mel das abelhas e nos frutos
    O gosto dela, a febre da paixão
    Fernão se esmerava na conquista
    De Esmeralda, inferno de Fernão.

    E um dia...
    Num fusca duas portas, dois amantes:
    Fernão louco, Esmeralda desvairada
    ¾ o enleio dos delirantes
    No Recreio dos Bandeirantes.

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