Mano Que Zuera 2017

1 - Fim

2 - Duro Na Queda

3 - Mano Que Zuera

4 - João de Pulo / Clube de Esquina n.2

5 - Ultra Leve

6 - Onde Estiver

7 - Sinhá

8 - Pé de Vento

9 - Coisa n.2 Instrumental

10 - Nenhum Futuro

11 - Quantos Rios


RELEASE

Começa pelo fim, porque o fim também é demais. E quem o anuncia é um mineiro muezzin, abrindo um mundo que se desfaz, e o fim de um mundo é um troço que não tem fim, e quando você acha que chegou ao fim ele começa a terminar de novo, como um pesadelo, como aquele um chamado João (que não é esse), acossado, desde o jardim das rosas até o todo-fim-é bom. Mas a regra é recomeçar, como as canções e epidemias, e eis que: um samba daqueles, que tem berro e Brahma (diria um outro mineiro: sorvete com nirvana), cortina de veludo, a mulata que já não é mais a tal, e aquele letrista que continua valendo o mundo. E segue o baile, agora num salão de carnaval, com aquela atmosfera labiríntica de Estorvo e Budapeste, maldito uruguaio, o zap que apitava, errou, errou, errou. E mais um João, Saci campeão, raio de luz cortado, que salta pra dentro de Minas Gerais – que salto, meus senhores e senhoras, que salto. Do salto pro voo, pro sobrevoo, pro mais leve deslizar, ultra leve deslizar pela urbe de melodia, harmonia e topografia mental. Daí pra topografia afetiva, do maior amor do mundo, pop acalanto do pai assombrado (quem é o céu do céu?). E segue o baile, agora baile de cordas, com aquele escravo ameaçado de perder os olhos (projeção da sinhá? Freud explica), história embalada pelo mar de Cabo Verde, e daí pelos mares da Bahia, mares e amores, pé de vento, trombone e doçura – e depois é aquele violão que nego num sabe direito onde tá o 1, junto do canto que nego num sabe direito de onde vem, e no entanto tudo soa bem, tão bem, que coisa, meus amigxs, que coisa número 2. Mas não acaba aí, ainda tem choro niilista, queda do céu, fantasmas do Carandiru – e termina, digo, nunca termina, com o Rio de Heráclito em Meriti, recomeço infinito. É isso. Mano, que zuera.

Francisco Bosco


Discografia

Entre memórias, caminhos e canções, sigo sendo aquilo que o tempo e o coração inventam.

Entre memórias, caminhos e canções, sigo sendo aquilo que o tempo e o coração inventam.



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