18 de setembro de 2017 Artist Image

Malabaristas do Sinal Vermelho – 2003

  • Malabaristas do Sinal Vermelho

    Autores: João Bosco & Francisco Bosco

    Daqui de cima da laje
    Se vê a cidade
    Como quem vê por um vidro
    O que escapa da mão
    Uns exilados de um lado
    Da realidade
    Outros reféns sem resgate
    Da própria tensão
    Quando de noite as pupilas
    Da pedra dilatam
    Os anjos partem armados
    Em bondes do mal
    Penso naqueles que rezam
    E nesses que matam
    Deus e o Diabo disputam
    A terra do sal
    Penso nos malabaristas
    Do sinal vermelho
    Que nos vidros fechados dos carros
    Descobrem quem são
    Uns, justiceiros, reclamam
    O seu quinhão
    Outros pagam com a vida
    Sua porção
    Todos são excluídos
    Na grande cidade

  • Moral da História

    Autores: João Bosco & Francisco Bosco

    Mais do que a noite, viramos
    o século
    temos sono e insônia
    não podemos dormir nem acordar;
    de madrugada abrimos as janelas
    mas já não há céu, somente
    seu segredo:
    a evidência sem provas
    como uma fratura exposta
    moral da história
    e melancolia das estrelas.

  • Não sei seu nome inteiro

    Autores: João Bosco, João Donato & Francisco Bosco

    Eu não sei seu nome inteiro
    Nem de onde você veio
    Não conheço que cabelo
    Você tem antes do espelho
    E o que pensa sua boca
    Por trás do batom vermelho
    Qual a placa do seu carro
    Os seus sonhos de menina
    A marca do seu cigarro
    Seus silêncios, sua sina
    Pra que porto você ruma
    Suas âncoras, seu medo
    Se dormiu com meu futuro
    Ou querendo partir cedo
    Eu não sei qual o seu signo
    Se prefere outros assuntos
    De que filmes você gosta
    Quanto tempo temos juntos

  • Terreiro de Jesus

    Autores: João Bosco, Edil Pacheco & Francisco Bosco

    Eu vou pro samba
    No Terreiro de Jesus
    Beber a luz
    Rever os bambas
    Uma magia me seduz
    Meu coração se derrama
    Tô na Bahia
    Festa de rua
    Na cantina da lua
    Tem samba

    Vou deixar falar
    Vou mandar descer
    Pode chegar sossegado
    Que essa mesa é branca
    Vou bater palma de mão
    Com fé no coração
    Eu vou de guia e tamanca
    Eu sou de escorregar
    Liso de doer
    Tenho boca de quiabo
    E casca de banana

    Sou, eu sou da Saúde, eu sou de lá
    Eu sou da Gamboa, Praça Mauá, sou o samba
    Sou, sou da Praça Onze, eu vim de lá
    Do tempo que bobo era bobo, e bamba, bamba
    Eu sou, sou do Estácio, eu sou de lá
    Chapéu panamá, bicolor no pé, linho branco
    Sou, sou, sou do terreiro, eu vim de lá
    E tô com saudade de lá, para ser franco

    Dia dois
    Dois de dezembro
    Eu vou pra Bahia sambar
    Eu vou pra lá…

  • Cinema Cidade

    Autores: João Bosco & Francisco Bosco

    Podia ser Berlim
    Cidade fria
    Podia ser Japão
    Jardins de areia
    Podia ser Pequim
    Cidade cheia
    Podia ser que não
    Cidadezinha

    Posso tentar a sorte
    Em qualquer outro lugar
    Se aqui não melhorar
    Paris, Estocolmo, Zaragoza

    Vejo um arranha-céu
    E só penso em ser feliz
    Tudo está por um triz
    Nessa cidade

    Cidade pra nascer
    Cidade pra morar
    Cidade pra viver
    Cidade pra se amar

    O mapa tatuado na sola dos pés
    Às vezes distraído, às vezes de viés
    Ando pela cidade

  • Pernas de Pau

    Autores: João Bosco & Francisco Bosco

    Pernas de pau, filhos do barro
    Linhas na mão e um coração no peito
    Andando sobre o meio-fio de um céu sem rede, vão
    Bebendo as nuvens pra tentar esquecer

    Dedos no pé, pêlos no rosto
    Rugas na pele e outros mensageiros
    Sua alegria é um mistério em plena luz do sol
    Em fevereiro nunca sabem quem são

    Quando se amam compreendem tudo
    Sua razão é mais e menos razão
    E nesse tempo não se fazem pergunta alguma, até
    Voltar nos olhos a queimar a questão

  • Andar com Fé

    Autores: Gilberto Gil

    Andar com fé eu vou
    Que a fé não costuma faiá...

    Que a fé tá na mulher
    A fé tá na cobra coral
    Ôô, num pedaço de pão
    A fé tá na maré
    Na lâmina de um punhal
    Ôô, na luz, na escuridão

    Andar com fé eu vou
    Que a fé não costuma faiá...

    A fé tá na manhã
    A fé tá no anoitecer
    Ôô, no calor do verão
    A fé tá viva e sã
    A fé também tá pra morrer
    Ôô, triste na solidão

    Andar com fé eu vou
    Que a fé não costuma faiá...

    Certo ou errado até
    A fé vai onde quer que eu vá
    Ôô, a pé ou de avião
    Mesmo a quem não tem fé
    A fé costuma acompanhar
    Ôô, pelo sim, pelo não

  • Não me arrependo de nada

    Autores: João Bosco & Francisco Bosco

    Não me arrependo de nada
    Dos erros que cometi
    Se hoje eu sei que errei
    Pra saber teve que ser assim
    E se pude recomeçar
    Foi só porque um dia perdi

    Não me arrependo de nada
    Nem poderia mentir
    O quanto sorri ou chorei
    As canções que o digam por mim
    E assim penso no que essa estrada
    Já deu pra mim

    Seu amor - conheci
    Ser feliz - conheci
    Sem porquê - te perdi
    Com o tempo o caminho ensinou
    Que se as coisas vão mal
    Sem nada entender
    Devo seguir no escuro
    Até o futuro

    Se um amor eu perdi
    Outro amor há de vir
    Sem querer vai surgir
    E assim penso no que essa estrada
    Ainda guarda pra mim

  • Benzetacil

    Autores: João Bosco & Francisco Bosco

    Tem dor de dente, dor-de-cotovelo
    Tem dor em tudo que é lugar
    Dor de barriga, asia, queimação
    Tem a dor-de-facão
    Mais conhecida por “de veado”
    Calo, nó, tostão ou dor muscular
    E bico-de-papagaio
    Dor de cabeça, sinusite, febre
    Cólica, enxaqueca, mas vai melhorar, porque
    Pra toda dor existe um bom remédio
    Toma, deita, espera, tenta esquecer

    Mas na verdade tenho que dizer
    Tem uma dor tão vil
    Que dói só de pensar
    Você não sabe amigo o que é levar
    Um Benzetacil naquele lugar
    Ai, ai, ai…

    Esparadrapo, calminex, gelo
    Boldo, sal de frutas, cafuné de mãe, não tem
    Nenhum remédio pra essa dor maldita
    Vira, abaixa as calça, entrega a Deus e amém

  • Jogos de Arrasar

    Autores: João Bosco & Francisco Bosco

    Tem vaca-amarela
    Quem falar, perdeu
    Tem polícia-e-ladrão

    Tem roleta-russa
    Jogos de arrasar
    Golpe baixo e armação

    Até uma coca-cola
    É mais pura
    Que a fórmula do amor

    Deu um nó sem laço
    Passo, é sua vez
    No tabuleiro de xadrez
    Você não se comove
    Ataca de Karpov
    Cansei da brincadeira
    Peço pra parar
    Você diz “my dear
    Sinto te informar
    Mas acho que não vai dar”

    Tem queda-de-braço
    Batalha naval
    Na gincana conjugal

    Leve as crianças
    Pra dar um passeio
    No playcenter do amor

    A roda gigante às vezes dá de emperrar
    Com você lá em cima louco pra isso acabar

    É como entrar dentro do espelho
    E quando tudo ruir
    Saber que não consegue sair

    É como andar na selva escura
    E quando o dia raiar
    Saber que não saiu do lugar

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Trem Bala Agnus Sei Por Um Sorriso Dois pra lá Dois pra cá Incompatibilidade de Genios Genesis (Parto) Falso Brilhante Linha de Passe Tal mãe, Tal filha Angra Profissionalismo é isso ai Escadas da Penha Bate um Balaio ou Rockson do Pandeiro Cabaré Coisa Feita Malabaristas do Sinal Vermelho Siri Recheado e o Cacete Tristeza de uma embolada Amar, Amar Quilombo Si Si No No Ditodos O Mestre-sala dos Mares As Minas do Mar Granito Desnortes Holofotes Indeciso Coração Querido Diário Forró em Limoeiro Se Você Jurar Calango Rosa Papel Machê Pixinguinha 10x0 Beirando a Rumba Kid Cavaquinho Perversa Mama Palavra Cinema Cidade Incompatibilidade de Gênios Bala com Bala - Edu Lobo Pronto pra próxima